quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

ACREDITO NA VERDADE



por Pr. Mauri Tavares
em 16 de Janeiro de 2013

Não sou muito propenso à polêmica, mas tenho um pendor pela apologética. Polêmica, tecnicamente, como se sabe, é um debate entre cristãos sobre doutrinas. Apologética, por outro lado, é o esforço racional para mostrar que o Cristianismo não é um absurdo e que todas as outras cosmovisões possuem aporias e incongruências insuperáveis. O polemista se baseia, quase que exclusivamente, nas Escrituras Sagradas, enquanto que o apologeta procura evidências da verdade bíblica em toda a criação e nas relações entre os seres criados. Isso porque, a Palavra de Deus, que se fez escritura, estava voltada para Deus, em absoluta harmonia com Ele, sendo Ela própria Deus. Essa mesma Palavra, que se fez carne e habitou entre nós, foi causa da existência de tudo, e é o seu poder atuante e onipresente que sustenta o universo todo. Assim, o Logos de Deus, que arquitetou a humanidade compõe, também, a estrutura da própria natureza.

Por esta razão, é possível o conhecimento em todos os seus níveis. O pressuposto da relação causal, indispensável à cognição, faz parte da estrutura mental humana. Sem a certeza de que presentes certas causas ocorrem determinados efeitos, a ciência seria impossível. Negar essa verdade é uma negativa do próprio bom senso e, levada às últimas consequências esse ceticismo, a própria vida se torna impossível. Uma dona de casa não poderia fazer nem mesmo um bolo, pois sempre duvidaria de que, utilizando uma dada receita, o resultado esperado se daria. Como disse alguém, ninguém atravessaria nem uma rua sequer, pois a dúvida levaria o pedestre a jamais acreditar que suas vistas estão certas, quanto à ausência de movimento de veículos, naquele exato momento.

Muitos pensadores da atualidade outra coisa não fazem senão reagir ao racionalismo confiante e reducionista, que tanta desgraça produziu. Tais pensadores não podem propor algo melhor, pois caminham para outro extremo e, como já foi afirmado: ‘os extremos se tocam’. Logo, reagindo ao racionalismo, estimulam a irracionalidade, com base em uma racionalidade naturalista, materialista, existencialista, reducionista e, por demais, duvidosa. Alguns dizem até que, seguindo esta linha, a humanidade pode reviver a Idade das Trevas. Contudo, durante a Idade Média, não obstante todo o obscurantismo, a Verdade Absoluta não era negada. Assim, concordo com Karl Marx que, referindo-se ao sobrinho de Napoleão Bonaparte, disse que a história se repete duas vezes, sendo a primeira como tragédia e a segunda, uma farsa. Falsear uma tragédia não é menos grave do que a própria tragédia. Aqueles que negam a regularidade entre causa e efeito, com base no movimento de partículas que só podem ser contempladas mediante teorias aproveitáveis, porém não ‘absolutizáveis’, precisam ainda provar em que ponto da partícula a força propulsora do movimento tocou ou em que lugar dela está o seu próprio motor, demonstrando que o movimento segue direção diferente da força resultante. Isso ainda não foi feito.

Construir filosofias com base em afirmações científicas, sempre mutáveis, não corrobora o desenvolvimento da humanidade. A ordem não pode ser alterada. A Ciência sempre veio a reboque da Filosofia, contribuindo com esta numa relação dialética, mas colocar a Filosofia a reboque da Ciência significa tirar toda a certeza de toda e qualquer proposição. É exatamente isso que está ocorrendo, hodiernamente. Não é isso que dizem os filósofos da linguagem? Asseveram que a linguagem cria as verdades, mas não pode reproduzir a Verdade. Esta fica ao alvedrio dos intérpretes, que definem o sentido e o significado do texto. Logo, cada qual define a sua verdade e o caos já está instalado.

Eu, que sou cristão, acredito na Verdade. O mundo atual não se encontra na situação de normalidade com a qual fora criado. Contudo, mesmo na sua anormalidade, provocada pela Queda, nunca deixou de revelar a Verdade, que deve e pode ser perscrutada nas ruínas da existência, marcada pela luta entre o bem o mal, cuja história começa com a atitude humana de decidir, por si, o que é certo e o que é errado, na tentativa de conquistar sua autonomia, retirando o Deus da Vida da vida terrenal.

http://www.facebook.com/mauri.tavares.5/posts/490845634300130

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

QUEM É O EVANGÉLICO?


Quarenta e dois milhões de evangélicos: esse foi o último número divulgado pelo IBGE  referindo-se ao número de cristãos protestantes que se somam à população brasileira.

Segundo os dados do Instituto, em 1970 éramos 5,2% da população; em 1980, 6,6%; e em 1991, 9%; em 2000, 15,6%; e, recentemente, em 2010, 22,2% (42.275.440).

Quando se fala em evangélicos, contudo, sabemos que não se trata de um grupo homogêneo. Basicamente, existem os Históricos, Pentecostais e Neopentecostais. Para quem não entende essas distinções é necessário um breve esclarecimento:

1.  HISTÓRICAS são as Igrejas provenientes da Reforma Protestante ocorrida na Europa a partir do século XVI, ou cujas tradições remontam a princípios evangélicos defendidos por esse evento. Luteranos, anglicanos, batistas, presbiterianos, metodistas, congregacionais, são alguns exemplos do que podemos chamar de Igrejas cristãs históricas.

2.  PENTECOSTAIS são as Igrejas nascidas a partir da primeira década do século XX, a partir do pressuposto de que a Igreja contemporânea deve manifestar o exercício de dons extraordinários, tais como glossolalia, revelações, curas, etc. Em geral, seus cultos se caracterizam por manifestações bastante emotivas compreendidas como êxtases espirituais. No Brasil, destacam-se a Assembleia de Deus, a Igreja Brasil para Cristo, a Igreja Deus é Amor, a Igreja do Evangelho Quadrangular, entre outras. Destas, somente a Assembleia de Deus faz parte do primeiro movimento pentecostal chamado Pentecostalismo Clássico.

3.  As Igrejas chamadas NEOPENTECOSTAIS nasceram a partir da década de 1970. Teologicamente, possuem inovações polêmicas, mas o que se tornou um grande diferencial e que muito contribuiu a seu crescimento explosivo foi o uso de poderosos veículos de comunicação, tais como Rádio e TV. Embora seja o grupo mais jovem, as Igrejas neopentecostais são as que mais crescem numérica e economicamente. Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Igreja Internacional da Graça, Igreja Renascer em Cristo, Igreja Sara Nossa Terra, e Igreja Mundial do Poder de Deus são alguns exemplos de denominações neopentecostais.

A princípio, o neopentecostalismo pareceu se tratar de uma renovação dentro do pentecostalismo, e esta é uma das razões pelas quais até hoje pentecostais e neopentecostais são frequentemente confundidos. A própria imprensa secular costuma se atrapalhar, devido à semelhança dos termos. Outro fator que provoca tal confusão é que, sendo as Igrejas neopentecostais as maiores detentoras de poder midiático, tornam-se também as mais influentes dentro do evangelicalismo. Desse modo, suas características religiosas têm sido gradativamente assimiladas pelas igrejas evangélicas, especialmente pelos pentecostais.

Quando desafiados a identificar semelhanças e diferenças entre esses três grupos, os evangélicos têm apresentado o seguinte esquema:

HISTÓRICOS
PENTECOSTAIS e
 NEOPENTECOSTAIS

Nesse caso, a diferença consistiria fundamentalmente em se acreditar ou não na contemporaneidade dos dons extraordinários. Entretanto, outra forma possível de se propor essas associações seria aquela baseada nas marcas da verdadeira Igreja, a saber:

(1) a fiel pregação da Palavra;
(2) a correta ministração dos Sacramentos;
(3) o fiel exercício da Disciplina.

Nessa proposta, o primeiro grupo fica com as Igrejas que se identificam com tais marcas, enquanto que no segundo grupo, as demais. Nesse caso os pentecostais mudariam de lado:

HISTÓRICOS e
PENTECOSTAIS
NEOPENTECOSTAIS

Ora, uma vez que os elementos da fé que unem históricos e pentecostais são bastante superiores aos que nos separam, é natural que a intenção deste artigo não seja comparar nossas diferenças. Discordamos, sim, em alguns pontos teológicos, mas são questões secundárias; já nos assuntos primários da fé, nós concordamos.

É imprescindível, portanto, para que definam melhor sua própria identidade, que os pentecostais corrijam sua visão acerca dos neopentecostais. Pentecostais e neopentecostais não podem ser confundidos!

POR QUE NÃO SE PODEM CONFUNDIR 
PENTECOSTAIS E NEOPENTECOSTAIS?

Como já afirmado, os pentecostais têm sido bastante influenciados pela mídia neopentecostal, mas historicamente não subscrevem o mesmo credo, nem exercitam sua religiosidade do mesmo modo.

Originalmente, os dois grupos não veem a Prosperidade e a Guerra Espiritual sob a mesma perspectiva. Os pentecostais são comprometidos com os ensinos bíblicos, não acreditam que Deus tenha deveres em relação a seus súditos, não enxergam a Deus como um ser manipulável, e nem encaram o diabo como uma entidade equivalente a Deus. Pentecostais não fazem mandingas, não dependem de rituais de purificação ou de quebra de maldições. Pentecostais não creem em cobertura espiritual, e nem advogam a doutrina do “poder da palavra” (confissão positiva).

Pentecostais não almejam poder político, ou representação evangélica no Congresso (ops... isso eles aprenderam). Pentecostais não ensinam que o Reino de Deus consiste em prosperidade. Ao invés disso, ensinam que seguir a Cristo implica em constantes perseguições, consequente intimidação, exclusão social, prejuízos financeiros; tudo causado injustamente, mas por causa da fidelidade ao nome de Jesus acima de todas as coisas.

Pentecostais aprenderam do Senhor que devemos nos contentar com aquilo que Deus nos dá: piedade com contentamento (1Tm 6.3-10). Se querem mudar sua realidade econômica, pentecostais trabalham duro e esperam em Deus; não esperam ficar ricos por muito orar ou por darem suas propriedades para a Igreja, mas acreditam que Deus suprirá tudo aquilo de que tiverem necessidade, se eles buscarem em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça (Mt 6.25-34).

Pentecostais sabem que Deus ouve suas orações, e não dependem da mediação de líderes considerados mais espirituais para que seus alvos sejam alcançados diante do Senhor (1Tm 2.5). Pentecostais não fazem campanha para seu próprio enriquecimento, nem para afastar o encosto, a inveja, ou o olho-gordo (1Jo 5.18). Pentecostais fazem jejuns para melhorar sua espiritualidade, para sua santificação, fazem campanhas pela salvação de seus familiares e amigos, dedicam-se em oração por causas piedosas e honradas (1Ts 4.3).

Pentecostais não formam franquias religiosas; plantam Igrejas (Mt 28.18-20). Para os pentecostais, a pregação do Evangelho não visa conquista de poder, mas a salvação do pecador. Para os pentecostais o trabalho de evangelização mundial não depende do poderio econômico, mas unicamente de Deus. Os recursos financeiros necessários para a execução dos projetos missionários dos pentecostais são provenientes de dízimos e ofertas, recolhidos voluntariamente e nunca por pressão, intimidação, constrangimento ou propostas de barganha espiritual.

Pentecostais creem na sucessão apostólica que reside na doutrina dos apóstolos, e não aquela fundamentada em pessoas (At 2.42). Pentecostais leem a Bíblia e se humilham diante de Deus, reconhecem suas limitações e depõem todas suas expectativas nas mãos de seu Senhor, Jesus Cristo, o Filho de Deus Todo-Poderoso. Para os pentecostais, a Bíblia é sua única regra de fé e prática; para eles, a Palavra de Deus está sempre certa. Pentecostais rejeitam falsos mestres, falsos profetas e falsos apóstolos.

Pentecostais se submetem ao processo de santificação que acompanha a salvação oferecida em Jesus Cristo (Ef 2.10). Quando exortados pelas Escrituras Sagradas, pentecostais convertem seu mau procedimento, se arrependem e se fortalecem em Cristo para a eficaz transformação de seu caráter, segundo a imagem do Filho de Deus (Ef 4.11-14). Pentecostais mudam de vida! (1Co 5.17)

Enfim, pentecostais são bem diferentes dos neopentecostais. Via de regra, os neopentecostais são simplesmente o inverso de tudo o que foi acima acentuado.

NEOPENTECOSTALISMO vs. EVANGELHO

Os neopentecostais foram os evangélicos que revolucionaram o presente movimento político de representação evangélica nos cargos eletivos em todas as esferas governamentais. As denominações neopentecostais querem o poder. “Em favor do Evangelho”, investiram nos meios de comunicação. Através da mídia, chegaram ao capital. Com o capital, perceberam as oportunidades se abrindo como um leque, e entre todas as opções com que se depararam, julgaram que o poder político era um investimento que traria ainda maiores oportunidades. Tudo isso sob o pretexto de que o Evangelho seria anunciado. Mas não foi bem isso que aconteceu: o poder veio, e o Evangelho foi jogado para escanteio.

Devido a sua ética relativista, típica da pós-modernidade, os neopentecostais se revelaram extremamente pragmáticos (“os fins justificam os meios”). Líderes neopentecostais não se importam se é certo ou errado; mas se vai dar certo, se funciona, se traz resultados, etc. Aplicados na política, esses princípios se identificaram com a famigerada falta de ética dos políticos brasileiros. Foi um “casamento perfeito”. Continuam fazendo do Evangelho o pretexto pela busca do poder (capital, mídia, política), o que leva ao contínuo crescimento do império neopentecostal no Brasil.

O DEVER DE PROTEGER O REBANHO QUE NOS FOI CONFIADO

Detentores da maior parte da mídia chamada gospel, esses grupos cativaram o público evangélico brasileiro. Acreditando se tratar de irmãos, os evangélicos desavisados se tornaram clientes de seus programas de Rádio e TV. E, apoiados na justificativa de que é melhor assistir a um “programa evangélico” do que assistir a uma desprezível novela da Rede Globo, os crentes de todas as denominações assistem ao Show da Fé, certos de que estão fazendo algo bom e salutar, algo de que Deus se agrada.

Tais pessoas pensam estar crescendo em Deus já que, em suas respectivas Igrejas, nenhuma palavra objetiva tem sido dada a respeito dos prejuízos nefastos à fé a que está sujeito aquele que se expõe aos falsos mestres da presente geração. Negligência e omissão são os pecados das Igrejas e dos líderes evangélicos que não se pronunciam acerca do caráter herético de tais entidades religiosas e seus programas de TV e Rádio.

Minha Igreja já se posicionou contra duas delas, a saber: a Universal do Reino de Deus e a Mundial do Poder de Deus. Para nós, essas instituições já deixaram de ser reconhecidas como genuinamente evangélicas, por entendermos que Edir Macedo e Valdemiro Santiago não pregam o Evangelho de Cristo. Embora se digam porta vozes de Deus, embora até usem a Bíblia em suas mensagens, eles não deixam a Bíblia falar.

É responsabilidade dos líderes evangélicos, líderes das Igrejas reconhecidamente evangélicas, fazerem conhecidos os nomes dos falsos mestres que tem dispersado as ovelhas do Senhor. Assim faziam os líderes da Igreja primitiva. Os nomes devem ser anunciados, suas ovelhas devem ser alertadas, elas devem ser precavidas de que aqueles que se afastaram do Evangelho são apóstatas e, portanto, mais perigosos do que as telenovelas transmitidas diariamente na TV brasileira.

O apóstolo Paulo, na primeira carta a Timóteo, faz alertas a respeito dos falsos mestres, e cita nomes: Himeneu e Alexandre. Também na sua segunda carta, Paulo trata dos falsos ensinos, e volta a citar nomes: Himeneu e Fileto. João, em sua terceira carta, alerta a Igreja para que tome cuidado com certo homem mau, e diz o seu nome com clareza: Diótrefes. No Apocalipse de João, o Espírito que traz revelação às sete Igrejas da Ásia Menor, parabeniza a Igreja de Éfeso por rejeitar os hereges, ao passo que repreende a Igreja de Pérgamo por manter esses mesmos hereges no seio da Igreja, a saber: os nicolaítas.

São abundantes nas Escrituras as passagens que nos chamam a atenção para zelarmos pela sã doutrina, para rejeitarmos os falsos mestres, falsos profetas e falsos apóstolos. Dentre elas, destacam-se: Mt 7.15-23; 1Tm 4.1-16; 1Tm 6.3-10; 2Tm 2.14-26; 3.1-17; Tt 1.10-16; A Carta de Judas; 3Jo 9-12.

PRECISAMOS DE VERDADEIROS PROFETAS

Qual era o papel do profeta no Antigo Testamento? Em geral, as pessoas imaginam que sua principal função era prever o futuro. Sendo um pouco observador, contudo, é possível se notar que a maior parte da atividade profética desse tempo não se concentrava nisso, mas em denunciar o pecado, pregar a lei de Deus, e chamar o povo ao arrependimento. O profeta não costumava trazer “novas revelações”, mas basicamente chamar a atenção do povo para a antiga revelação, convocando-o a renovar sua aliança com Deus.

Deus tem levantado profetas na pós-modernidade. Homens e mulheres comprometidos com a sã doutrina, e suficientemente revoltados contra os abusos cometidos em nome da fé. Essa coragem e santa ousadia têm sido veiculadas na internet, através de blogs e redes sociais. Os descrentes têm tido oportunidade de constatar que nós não compactuamos com as besteiras do evangelho neopentecostal. O mundo tem podido ver e reconhecer que há um abismo que separa os crentes dos neopentecostais. Não somos farinha do mesmo saco!

Todavia, como todo profeta da antiguidade, os atuais não são menos perseguidos. Levantar sua voz contra os poderosos não é uma tarefa confortável. Os hereges têm discípulos, e sobejam. No espaço destinado a comentários dos leitores destes blogs, os cegos seguidores dos pervertidos reagem nervosos e contrariados. Vociferam contra todos aqueles que apontam o erro. Usam as Escrituras para pregar um tal dever de passividade diante do caos que esses homens malignos têm causado, deturpando a bela mensagem de Cristo em nome do próprio interesse. Os comentários revelam o ódio que sentem por verem seus líderes criticados pelos verdadeiros profetas desta geração. Se tivessem oportunidade, serrariam pelo meio a cada um deles.

Ora, não deveríamos nos admirar de tal reação. Timóteo já havia sido alertado, quando Paulo previu: 
“Virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos. Você, porém, seja sóbrio em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério." (2 Timóteo 4.3-5).
Desse modo, devem ser denunciados nomes como os de Edir Macedo, Valdemiro Santiago, Romildo Ribeiro Soares (o “R.R.”), César Augusto, Robson Rodovalho, Márcio Valadão, Renê Terra Nova, Valnice Milhomens, Neuza Itioka. E mesmo aqueles outros que, embora não sejam neopentecostais, mas, desviados da verdade, ainda têm influência sobre os crentes, como Caio Fábio, Ricardo Gondim e Lana Holder. Todos devem ser tratados como “armados e perigosos”. Outros homens de peso internacional devem ser igualmente apontados, e as ovelhas devem ser desencorajadas a ler seus livros: Benny Himm, Kenneth Hagin, Kenneth Copeland, T. L. Osborn, dentre tantos outros.

O ponto em questão é o seguinte: todos esses homens e mulheres, apesar de desfrutarem de grande reconhecimento entre os evangélicos brasileiros, não passam de falsos mestres. São  hereges. Esses nomes devem ser denunciados dos púlpitos das Igrejas evangélicas. Cada denominação deve assumir um posicionamento oficial contra os loucos.

Eu sei que os pentecostais têm sua quedinha por Benny Himm. Mas eu também sei que são sóbrios o suficiente para reconhecerem onde precisam se distinguir dos neopentecostais. Infelizmente, Silas Malafaia também tem seguido um caminho sombrio, e parece que não demorará a que ele também seja incluído entre os que abandonaram a religião pura e sem mácula. Os pentecostais são uma grande força da igreja evangélica brasileira. Eu não gosto de vê-los confundidos aos hereges. Mas tenho visto muitos deles se deixarem influenciar pelas baboseiras destes homens da iniquidade.

Irmãos pentecostais, levantem-se, assumam sua própria identidade que é muito superior a esta moda evangélica. Distingam-se dos pérfidos amantes das riquezas. Mostrem para o mundo que vocês são muito mais do que seguidores de campanhas, macumbas gospel ou mandingas de crente. Os pentecostais não podem ser confundidos com os neopentecostais! Eles não são evangélicos, são pagãos. Eles não têm igrejas, têm negócios. Nós não reconhecemos seus sacramentos e nem são convidados para que se sentem conosco na mesa do Senhor.

Então, como devemos tratá-los? Evangelize-os. Pregue Cristo e a Cruz de Cristo, pregue a ressurreição do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus. Convide-os a que entreguem suas vidas a Cristo Jesus, que se arrependam de seu envolvimento com os falsos apóstolos, que neguem a fé enganosa que abraçam, e que afirmem uma fé renovada no Cristo das Escrituras. Chame-os à conversão!

Quanto a nós, protejamo-nos dos lobos, e protejamos os rebanhos que Deus nos confiou. No nome do Senhor Jesus, sejamos corajosos para não pecarmos por negligência. O poder e a influência dos hereges não podem mais nos intimidar. Posicionemo-nos pelo Evangelho, por Cristo, e pela Glória de Deus! Comportemo-nos como verdadeiros profetas! Sejamos evangélicos!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

UM DESAFIO PARA O SEU NATAL

"O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor."

Lucas 2.10-11


Que alegria! É Natal! E como em todos os anos, uma enxurrada de mensagens tem nos convocado à reflexão sobre O VERDADEIRO SENTIDO DO NATAL. Embora seja muito bem intencionada, vê-se que a maior parte dessas mensagens não consegue atingir qual o verdadeiro sentido. Eu acho muito bom ter uma mesa farta nas festas de fim de ano, mas não é esse o sentido do Natal. Eu acho incrível a decoração e iluminação das grandes cidades, mas não é esse o sentido. É muito bom sermos caridosos e partilharmos, mas também não é por aí. E é excepcional podermos reunir a família para alegremente nos confraternizar, mas o sentido não é esse tampouco. Isso seria mais uma reunião familiar, e só.

Ora, amigos, o verdadeiro sentido do Natal é a lembrança de que o Cristo nasceu, e que ele nasceu para salvar a humanidade dos seus pecados. Sabemos que 25 de Dezembro não é a data provável do nascimento. Mas não é a data que importa, e sim a comemoração. Natal é tempo de lembrar a Salvação concedida por Deus na pessoa de Cristo Jesus. Se feito em família, melhor ainda, mas não se esqueça, o foco do Natal não é a família, é a Salvação. Você quer dar um sentido natalino à sua reunião familiar? Então, eu lhe desafio a fazer algo diferente nesse ano. Ouse! Seja verdadeiramente natalino.

Talvez você se pergunte “Mas como? O que eu poderia fazer de diferente?”. Pois bem, permita-me lhe oferecer uma ajuda, então. Antes de dizer “Tá na mesa!”, siga o roteiro que se segue.

1. ATENÇÃO
Peça um minuto da atenção de todos. Não precisa ser agressivo, e nem precisa ser dramático. Seja simples. Peça um instante e diga que não vai se demorar.

2. BÍBLIA
Não comece com um discurso, simplesmente abra a Palavra de Deus, e leia uma pequena porção. Se você não sabe O QUE LER, eu lhe dou quatro sugestões: Isaías 9.1-7, Lucas 2.1-20, Mateus 2.1-12, ou João 3.16 (escolha uma).

3. NÃO PERCA O FOCO
Depois de ler a passagem, pelo amor de Deus, não mude o foco! Não diga que o verdadeiro sentido do Natal é a família e os amigos estarem reunidos, ou que o sentido é o renascimento do amor nos corações, ou que é tempo de lembrar-se dos necessitados. Não atrapalhe o verdadeiro sentido! Essa não é a hora de lembrar-se do amor fraternal, da paz no mundo, e nem mesmo dos famintos. Você teve oportunidade pra fazer isso o ano todo. Lembre-se: o foco agora é o presente que Deus deu à humanidade: perdão em Cristo, o amor de Deus. Lembrar-se de coisas salutares para tirar o foco daquilo que é principal, nada mais é que falsa piedade.

4. FALE DA SALVAÇÃO
Ao invés de dizer essas coisas, basta dizer que o verdadeiro sentido do Natal é comemorar o fato de Deus ter nos salvado dos nossos pecados em Cristo; ou então, diga que comemorar o Natal sem o Cristo seria uma grande incoerência e por isso você desejou ler a Palavra de Deus; ou ainda, diga que Jesus Cristo é o aniversariante e que ele nos deu o maior presente do mundo, o perdão dos nossos pecados. De qualquer modo, defina com antecedência o que você vai dizer, para que suas palavras alcancem os seus objetivos.

5. ORAÇÃO
Por fim, depois de dizer suas breves palavras, faça uma oração. Agradeça a Deus pelo alimento, pelo perdão dos pecados, e pela Salvação dada em Cristo. Para fazer isso, contudo, você deve estar ciente de que nós não temos méritos diante de Deus. E é por isso que a oração deve ser feita “em nome de Jesus Cristo”. Essa prática é um reconhecimento de que, por nós mesmos, sequer teríamos acesso ao Deus Santíssimo. Orar em nome de Jesus significa que nos baseamos nos méritos dele para nos achegarmos ao trono do Pai Celeste. Ao terminar sua oração, portanto, em vez de dizer somente “Amém!”, diga “... em nome do Senhor Jesus. Amém!”.

Daí, então, você finalmente diz “Tá na mesa, pessoal!”.

MAS, CUIDADO!

Não é necessário dar as mãos, nem ficar dando ordens para que as pessoas façam isso ou aquilo. Não force a barra, não torne o ambiente pesado, nem constranja os seus convidados. Na verdade, havendo simplicidade, sendo breve, e fazendo tudo isso com naturalidade, os presentes geralmente se sentem bem.

Outro cuidado que você deve ter, é que esta é uma prerrogativa do anfitrião, ou seja, do dono da casa (ou do dono da festa, se feita em ambiente alternativo). Assim, se você não é essa pessoa, e sabe que ela não pretende fazer nada neste sentido, você deve compreender que para assumir esse papel, precisa do aval dela. Eu já presenciei pessoas promovendo coisas bem simples assim, mas sem autorização. Foi um fiasco. Isso porque é um ataque contra a autoridade da casa e contra a soberania daquele lar. Se você quer fazer, peça autorização, e em hipótese alguma peça em público, faça-o em particular. Você não quer uma autorização por constrangimento, não é mesmo? Se você conseguir o aval, parabéns. Faça com alegria e singeleza de coração.

Simples, assim... Que a sua festa seja um instrumento nas mãos de Deus para anunciar a Cristo Jesus. Feliz Natal!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E DE EXPRESSÃO

UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
Carta de Princípios 2011


LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E DE EXPRESSÃO

INTRODUÇÃO

Os conceitos de liberdade de consciência e de expressão têm recebido crescente atenção pública em nosso país em anos recentes. Entre as diversas causas, estão o crescimento da pluralidade cultural, da diversidade religiosa e do relativismo como fatores integrantes da sociedade brasileira. De que maneira as pessoas podem ter e expressar suas convicções em um ambiente onde outros indivíduos pensam e se comportam de maneira diversa dessas convicções? Essa questão também faz parte do cotidiano universitário, especialmente em instituições confessionais como o Mackenzie, que primam por princípios éticos ao mesmo tempo em que sustentam a autonomia universitária.

O QUE É LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E DE EXPRESSÃO 

Acreditar no que quiser é um direito intrínseco a cada ser humano. A consciência é foro íntimo, inviolável, sobre o qual outros não podem legislar. Faz parte da nossa humanidade termos nossas próprias ideias, convicções e crenças. E é daqui que procede a outra liberdade, a de expressão, que consiste no direito de alguém declarar o que acredita e os motivos pelos quais acredita de determinada forma e não de outra. Nesse direito está implícito o que chamamos de “contraditório”, que é a liberdade de análise e posicionamento contrário às expressões ou manifestações de outras pessoas em qualquer área da vida. A liberdade de consciência diz respeito ao que cremos, interiormente. Já a liberdade de expressão é a manifestação externa dessas crenças.

OS FUNDAMENTOS DA LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E DE EXPRESSÃO 

O direito individual de pensar livremente e de expressar tais pensamentos é garantido em todas as democracias do mundo ocidental.

A Constituição

No Brasil, a liberdade de consciência e de expressão do pensamento é garantida pela Constituição em vigor. Sua origem se encontra no caput do Artigo 5º, “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, sendo assegurada a inviolabilidade dessa condição de igualdade. Se todos são iguais, todos podem expressar suas ideias, pensamentos e crenças, desde que os direitos dos outros sejam respeitados. Ao tratar dos direitos e garantias fundamentais, a Constituição diz no Artigo 5º:

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.

A liberdade de expressão religiosa é decorrente da liberdade de consciência e consiste no direito das pessoas de manifestarem suas crenças ou descrenças. Aqui se incluem adeptos das religiões, do ateísmo e do agnosticismo. Por ter origem na consciência, a liberdade de expressão religiosa inclui concepções morais, éticas e comportamentais, que são desenvolvimentos da crença individual. A separação entre Igreja e Estado no Brasil significa tão somente que nosso país não adota e nem protege uma ou mais religiões. O Estado é “laico”, mas, não sendo antirreligioso, ele garante o direito de seus cidadãos professarem publicamente e praticarem a religião que quiserem, assegurando-lhes que não serão discriminados por isso, conforme o mesmo Artigo 5º:

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política...

Direitos Humanos

A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 também se preocupou em resguardar a liberdade de consciência e de expressão, particularmente a expressão religiosa. O artigo 18 diz: Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou particular. Entendemos que esse amplo reconhecimento das liberdades individuais tem fundamento no fato, nem sempre considerado, de que o ser humano foi criado por Deus.

A imagem de Deus

Do ponto de vista da fé cristã, a liberdade de consciência decorre fundamentalmente do fato de termos sido criados por Deus como seres morais livres. É uma das coisas incluídas na “imagem e semelhança de Deus” com que fomos criados, de acordo com o relato de Gênesis 1.26-27:
Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão. Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
O homem recebeu, por direito de criação, a capacidade de julgar entre o certo e o errado e escolher entre os dois. Ele podia livremente ponderar, analisar e, então, escolher. O fato de que ele teria de arcar com as consequências de suas escolhas diante do Criador não anulava, todavia, seu direito de fazê-las e defendê-las. É nisto que reside o que chamamos de liberdade de consciência e de expressão. Como um ser criado, o homem responde diretamente ao Criador pelo uso dessas liberdades. Ousamos dizer que uma das influências decisivas para que essas liberdades fossem reconhecidas no mundo ocidental veio da Reforma Protestante do século XVI. Os cristãos enfatizaram a necessidade da separação entre a Igreja e o Estado, destacaram o fato de que cada cristão tem sua consciência cativa somente a Deus e defenderam o sacerdócio universal de todos os cristãos. Um exemplo dos esforços destes cristãos para garantir a liberdade de expressão é o apelo de John Milton ao Parlamento Inglês, em 1644, em defesa da liberdade de imprensa.1

OS LIMITES DA MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO 

Sociedades plurais em países em que há separação entre Igreja e Estado sempre terão de enfrentar o dilema entre a liberdade de manifestação do pensamento e os direitos individuais. Se por um lado as leis brasileiras nos garantem a liberdade de expressão, por outro, elas também preservam a honra e a imagem das pessoas. Não se pode denegrir uma determinada pessoa em nome da liberdade de expressão.

Falar e assumir

Conforme reza a Constituição, uma das condições para que se manifeste livremente o pensamento no Brasil é que a pessoa se identifique e assuma o que disse ou escreveu. O anonimato anula a validade da expressão, ainda que ela contenha méritos, pois sugere que o autor não tem dignidade e nobreza. Também denota que essa manifestação não vem acompanhada da necessária responsabilidade pelo ato praticado.

Contradizer e respeitar

Em sociedades multiculturais e plurais, pensamentos, crenças e convicções que são livremente expressos podem contrariar ou contraditar outros pensamentos, crenças e convicções quanto aos valores morais, crenças religiosas e preferências pessoais. Tais discordâncias, todavia, não podem ser vistas como formas de se denegrir a honra e a imagem dos indivíduos de quem se discorda. Se assim fosse, seria impossível a discussão de ideias e a apresentação do contraditório, especialmente no ambiente da Universidade. De acordo com os princípios da fé cristã, o amor a Deus e ao próximo são os maiores deveres de cada ser humano. Amar ao próximo significa respeitar o nome, os bens, a autoridade, a família, a integridade e a reputação das pessoas, independentemente das convicções religiosas, políticas e pessoais delas. Os cristãos podem discordar das pessoas e ainda assim manifestar apreço e respeito por elas. Quando cristãos deixam de amar as pessoas ao seu redor, estão violando um dos preceitos mais conhecidos de Jesus Cristo, que é amar ao próximo como a si mesmo. Os cristãos, na verdade, devem ir além e amar inclusive os seus inimigos, conforme o próprio Jesus ensinou (Mateus 5.44).

Livre mas não neutra

Em tudo isso, há outro elemento que não pode ser ignorado, o fato de que o ser humano, usando suas liberdades acima descritas, resolveu tornar-se independente de Deus e viver uma vida autônoma. O livro de Gênesis (3.1-24) registra esse momento, que na teologia cristã recebe o nome de "Queda", termo que indica que essa busca de autonomia implicou em uma caída daquele estado original de liberdade de consciência e expressão. Não que o homem tenha perdido essas liberdades – ele ainda as mantém. Só que tanto a sua consciência quanto a sua capacidade de julgar e escolher entre o bem e o mal, tendo abandonado a Deus como referencial, são inclinadas ao mal, ao erro, ao egoísmo. E como decorrência, sua expressão, embora livre, reflete essa tendência ao mal. Uma das manifestações do impacto da Queda na liberdade humana é a tendência de se procurar suprimir a liberdade dos que discordam de nós. Os que professam a fé cristã devem reconhecer que todas as pessoas, inclusive aquelas que não acreditam em Deus e que têm práticas contrárias à ética cristã, têm o direito fundamental de pensar e acreditar no que quiserem e de viver de acordo com suas crenças. Os cristãos entendem também que se manifestar contrariamente ao que pensam e fazem essas pessoas não é incitamento ao ódio, mas o exercício desse mesmo direito fundamental. Aqui citamos o dito de Voltaire, "não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo."2 Essa frase fala tanto do direito que temos de discordar dos outros quanto do direito que os outros têm de discordar de nós, direitos pelos quais deveríamos estar dispostos a lutar, uma vez que, perdidos, deixam a todos amordaçados.

LIBERDADE, RESPONSABILIDADE E CIDADANIA 

Como Universidade confessional, o Mackenzie busca, conforme seu Estatuto, "a adoção de um Código de Ética baseado nos ditames da consciência e do bem, que reflitam os valores morais exarados nas Escrituras Sagradas, voltados para exercício crítico da cidadania" (Artigo 3º). Os termos do artigo citado frisam as bases da visão ética dessa Escola em prol da preservação da dignidade do homem: a iluminação pela Palavra de Deus e a consideração da consciência para o exercício livre de sua manifestação na sociedade. Ao mesmo tempo, o Mackenzie também respeita a consciência de cada um de seus alunos, como diz o Estatuto, "A assistência espiritual à comunidade universitária, respeitada a consciência de cada um, é proporcionada pela Capelania Universitária, em conformidade com a natureza confessional presbiteriana" (Estatuto, Artigo 67). Liberdade de consciência e de expressão são privilégios do ser humano por direito de criação. Jamais podemos abrir mão deles sob risco de diminuirmos nossa humanidade e a imagem de Deus em nós.
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1MILTON, John, Areopagitica: Discurso pela Liberdade de Imprensa ao Parlamento. Editora Topbooks, 1999. Rio de Janeiro, RJ.
2Voltaire (François Marie Arouet, 1694-1778), um dos mais famosos filósofos do Iluminismo, ficou conhecido por sua batalha incessante em prol das liberdades civis, especialmente da liberdade religiosa.

Rev. Dr. Augustus Nicodemus Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie 

Agradecemos a todos que colaboraram na confecção desta Carta de Princípios.

OBRAS RECOMENDADAS
ALTHUSIUS, Johannes. Política. Rio de Janeiro: TopBooks, 2003.
ASH, Timothy Garton. Nós, o Povo: a Revolução de 1989 em Varsóvia, Budapeste, Berlim e Praga. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
BARBOSA, Rui. A Imprensa e o Dever da Verdade. São Paulo: Com-Art, 1990.
HAVEL, Václav. Entrevista a Distância. São Paulo: Siciliano, 1991.
KUYPER, Abraham. Calvinismo. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.
MILTON, John. Areopagitica: Discurso pela Liberdade de Imprensa ao Parlamento. Rio de Janeiro: Topbooks, 1999.
ORWELL, George. A Revolução dos Bichos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
POLANY, Michael. A Lógica da Liberdade. Rio de Janeiro: Topbooks, 2003.
SCHAEFFER, Francis. "Um Manifesto Cristão" in: A Igreja no Século 21. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 157-239.
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domingo, 15 de novembro de 2009

QUEM TEM O DIREITO DE DITAR AS REGRAS?


Nessa madrugada, o programa Altas Horas recebeu a presença da universitária Geisy, envolvida no escândalo do “vestido vermelho” na Uniban. A intenção do apresentador do programa parece ter sido levantar a discussão sobre a legitimidade da reação dos alunos daquela instituição, e foi ai que a coisa começou a ficar interessante.

A discussão sobre o que é ou não legítimo na sociedade não é recente nem está concluída. Talvez isso pareça muito filosófico, contudo cada um de nós se depara com inúmeras situações cotidianas, nas quais precisamos legislar sobre o que é certo ou errado. Afinal de contas, quem tem o direito de dar a palavra final nessa discussão? O que segue são quatro possíveis respostas para essa pergunta.

NINGUÉM! Afinal, como alguém poderia ter direitos sobre aquilo que eu decido ou não, fazer? Isso é algo de foro íntimo! Eu tenho o direito de abrir o meu guarda roupas e escolher sair com aquilo que me agrada! E mais! Se eu quiser sair sem nada, totalmente nua! Quem pode me julgar? As pessoas são livres para fazer aquilo que querem!

Essa é uma possível resposta, contudo ela não abre margem para protestos, pois se todos tem o direito de agir da maneira que bem entendem, fica patente que qualquer um pode REAGIR, como pensar ser mais conveniente. E se diante de um vestido curto, eu decido dar vazão aos meus desejos sexuais, quem é que pode me recriminar? A discussão então caminha para a necessidade de um legislador externo para averiguar se os desejos são legítimos ou não. Esse pensamento abre a possibilidade para uma segunda possível resposta ao questionamento sobre quem tem o direito de ditar as regras.

O ESTADO! Somente o Estado tem o poder de legislar e usar a força numa sociedade civilizada. Se as leis do Brasil permitem que eu me vista da maneira que eu quero qual é o problema? O problema é que o estadista também pode legislar em causa própria, legitimando atitudes criminosas e promovendo a desigualdade social. Além disso, existe uma distância muito grande entre a velocidade em que as relações humanas se dão, e a capacidade que o Estado tem de julgá-las. Nesse sentido o poder deveria estar mais próximo do povo, de maneira que todos, ou pelo menos a maioria, pudessem decidir. Essa é outra possível resposta para a grande questão de quem pode ditar as regras.

A MAIORIA! O maravilhoso conceito de democracia limita o poder totalitário do legislador estadista, ao mesmo tempo, que permite que existam regras e que elas sejam elaboradas de maneira que os direitos da maior parte das pessoas sejam respeitados. Só tem o pequeno problema: quando a maioria dos alunos de uma universidade deseja atacar uma estudante, não significa necessariamente que por estarem em maior número, eles tem o direito de passar por cima da integridade de uma única pessoa. A voz do povo não é a voz de Deus, e por conseqüência não está sempre certa. Ops! Deus, será que poderíamos atribuir a Deus o direito de ditar as regras?

DEUS! Imagine uma consciência que estivesse acima do bem e do mal. Que não se deixasse levar por interesses econômicos, pois é o criador do ouro e da prata! Alguém que tivesse a capacidade de penetrar os pensamentos, sondando até o mais íntimo do subconsciente humano. Como alguém poderia enganá-lo ou até mesmo ignorá-lo? Ele não teria problemas com a quantidade de processos para julgar, isso porque está em todo lugar o tempo todo. E seu veredicto poderia ser conhecido até mesmo antes do fato problemático. Mas existe um problema no fato de Deus ser quem dita as regras: como conhecer a vontade de Deus!

Creio que o problema da moral humana não pode ser resolvido a partir de outra perspectiva, senão a divina. O conceito que as pessoas têm de Deus, seja ele, bem elaborado ou não, determina a maneira como elas se comportam diante das questões morais da vida. A discussão mais urgente hoje, não é sobre este ou aquele vestido, mas sim, se Deus pode ou não ser conhecido! A partir dessa constatação depende todo julgamento humano. Inclusive a moda!